"O mito é o nada que é tudo
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos braços.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre
De nada, morre.
(Fernando Pessoa )
Um corpo pode ser reconhecido como um conjunto de várias partes que compõem um animal. Após a sua morte esse corpo é considerado um cadáver. O corpo humano, como o de outros mamíferos, é geralmente dividido em cabeça, tronco e membros.
Esse corpo, o meu corpo em especial, está deitado em uma fria mesa de metal no mais profundo e indistinto morgue da cidade. Morgue, ou necrotério, é o local onde são guardados os cadáveres e se realizam exames periciais visando determinar a “causa mortis” ou causa da morte.
Esse necrotério, pode ser encontrado no Continente das Américas, bem no sul do Brasil, em uma pequena cidade no norte do Paraná, na Rua Edgar Alan Poe número 1849. É um estabelecimento distinto e sem nenhum detalhe aparente, atendido e frequentado constantemente por médicos legistas, especialistas forenses, góticos ou simplesmente pessoas estranhas ao próprio estado da morte.
A Morte, óbito, falecimento ou simplesmente passamento são os termos que conheço para o término da vida de um organismo. A situação que ocorre para a transformação de um corpo em um cadáver.
Pode parecer estranho, e até mesmo mórbido essa minha análise. Isso se eu estivesse olhando um cadáver em uma mesa de ferro atrás de um balcão do necrotério. Mas na realidade, ou dentro de meus pensamentos, eu estou na realidade olhando para o meu corpo, o meu cadáver, do alto da sala desse mesmo necrotério.